quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Cenas de família

A raiva não é tanta que mate,
por isso a gente discute e sobrevive
e vive de.

A dor é tanta, mas só de cabeça.
Toma aspirina, minha filha, que passa.
A ira bebe-se diluída no líquido muito doce.
E o amor chega em pílulas de raiva
concentrada à tona do lindo lago.

Tal é como, e só,
topamos essas saliências.
Com o canto dos lábios beijado
ver de relance a totalidade da vida.

Ou só olhar o sol
em seu eclipse.
A imagem boiando na bacia.
O fogo através do negativo fotográfico
lambe cabelo de férias
na viagem à fazenda
às crinas trançados,
cenas da família.
O astro e o rosto,
quem se examina?

O amor vem golfado
em contrações involuntárias
na epilepsia.

O amor engole a língua do amor
e peixe, - submerge.

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